Cheias do Rio dos Sinos podem custar à região R$ 7 bilhões em 30 anos

por Jornal Canudos

R$ 7 bilhões em 30 anos é o prejuízo direto e indireto estimado para a Administração pública, iniciativa privada e moradores da área do Baixo Rio dos Sinos, entre as cidades de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo, se nada for feito para minimizar o efeito das cheias.

Conforme o levantamento, divulgado aos integrantes do Comitê de Gerenciamento da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos (Comitesinos), o problema pode afetar 15.639 residências da região.

O cálculo alarmante foi divulgado pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), a partir de um estudo de três anos feito pelo órgão. O objetivo do estudo, divulgado em duas ocasiões, no dia 23 de julho, e com mais detalhes na segunda-feira (6), foi diagnosticar as áreas com maior risco de inundação, assim como propor cenários e ações para evitar efeitos negativos.

Cenários

O mapeamento feito pelo órgão estadual considerou dois cenários de alternativas. Um deles prevê melhorias no sistema de monitoramento, seguros de cobertura de inundações, reassentamento de ocupações irregulares e adaptação de prédios públicos. O outro, além destas, prevê a implantação de diques de proteção em diversos pontos da bacia do rio.

“Temos plenas condições, hoje, de saber as condições de funcionamento do Rio dos Sinos e seus afluentes”, afirma o superintendente da Metroplan, Pedro Bisch Neto. Segundo ele, o estudo foi feito por um consórcio de três empresas, com recursos do Ministério das Cidades, e o apoio de todas as prefeituras componentes da bacia.

“As Administrações nos trouxeram possíveis soluções a curto, médio e longo prazo, e estamos estudando todas as sugestões”, aponta. Uma delas é a elevação dos diques que existem, atualmente, na região de São Leopoldo em meio metro. A obra custaria, segundo a Metroplan, R$ 5,7 milhões.

Os técnicos simularam um cenário projetando a área potencialmente inundável nos municípios da bacia, caso nenhuma obra de engenharia seja executada neste período de 30 anos (veja mapa com a simulação para Novo Hamburgo). Também foram calculados os chamados tempos de recorrência, ou seja, as áreas afetadas pelas enchentes em períodos de cinco até 100 anos.

Opiniões

O presidente da Câmara Municipal de Campo Bom, Victor Souza (PCdoB), em reunião do Comitesinos na quinta-feira (9), abordou a complexidade do problema. “Estamos falando do futuro ambiental e social de toda a bacia. É preciso analisar detalhadamente cada item, com extrema clareza e responsabilidade”, disse.

O vereador hamburguense Sergio Hanich (MDB), membro do Comitesinos, se disse preocupado com os apontamentos do estudo. “Nós que vivemos aqui na base, junto com a comunidade, sabemos os problemas que acontecem em Novo Hamburgo a cada chuva”.

“Este estudo é inédito, e deve ser contínuo”, salienta Neto. “Que seja também um divisor de águas para mudar a cultura sobre o rio. Cada gestor público municipal poderá utilizar dessas informações para criar propostas que minimizem os efeitos das cheias, pois o Sinos é um patrimônio de todos”.

 

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