Bandeira: "Primeira prioridade é colocar contas em ordem"

por Jornal Canudos

Com a definição dos candidatos a governador do estado, o Jornal Canudos inicia entrevistas com os postulantes ao cargo máximo do Executivo gaúcho que vêm a Novo Hamburgo. A reportagem preparou cinco perguntas, feitas de igual modo para todos eles, com o objetivo de promover o debate de ideias e o fortalecimento da democracia. Confira a entrevista realizada com o candidato do Partido Novo ao governo do estado, Mateus Bandeira.

Caso eleito governador, qual sua prioridade de investimentos para o estado do Rio Grande do Sul?

A primeira prioridade é colocar as contas em ordem. O estado não investe nada hoje, porque simplesmente falta receita para pagar suas despesas mais básicas. Então, a primeira prioridade é colocar as contas em ordem, e, em paralelo, restabelecer a capacidade das respostas no combate à criminalidade. São duas agendas prioritárias, imperiosas, que precisam começar juntas, botar as contas em ordem, impedir que a despesa cresça, e tomar as medidas necessárias para que o ambiente de negócios melhore, a gente atraia investimentos, a receita volte a crescer, e possamos voltar a investir primeiro em segurança pública.

Na sua opinião, o Rio Grande do Sul passa por uma crise? Por que?

Passa por uma crise histórica, são cinco décadas de irresponsabilidade fiscal, esta é a razão pela qual estamos neste buraco hoje. Sucessivos governos gastando durante muito tempo mais do que arrecadaram, mais do que podiam, mais do que deviam, e financiando isto de diversas maneiras, formando uma dívida monstruosa, e hoje com as contas completamente desorganizadas. Ainda que, há pouco tempo atrás, dez anos, a gente tenha feito um processo de ajuste das contas públicas, colocado as contas em ordem, de 2011 em diante este processo degringolou mais uma vez, única e exclusivamente por irresponsabilidade fiscal. Entre 2011 e 2014, por exemplo, a inflação foi 26%, a receita cresceu 40%, mas a despesa cresceu 70%. Tem jeito? Tem, e a gente tem que botar ordem na casa, restabelecer a austeridade fiscal, impedir que a despesa continue crescendo e fazer com que o movimento da economia possa gerar crescimento orgânico da receita e, mais adiante, a gente encontre equilíbrio.

Como governar de maneira eficiente com os municípios, com as pautas municipalistas, como a segurança pública e educação, e com a União, principalmente com relação ao tamanho da dívida estadual?

Governar com a verdade, encarando a realidade. Não há mais recurso, e a sociedade não aceita pagar mais impostos. Ou a gente diminui o tamanho do estado e diminui a despesa, ou a gente promove as privatizações, ou impedimos que a despesa continue crescendo mais do que a receita, ou não haverá saída. Ou o processo será de deterioração contínua. Com a União, nós temos que aderir ao regime de recuperação fiscal, que foi construído no âmbito do Congresso Nacional, e que pode permitir com que ela dê um alívio para o estado por três anos, com a suspensão do pagamento da dívida. Isso nos dá tempo e fôlego para fazer as reformas que o estado precisa.

Como fazer, na sua opinião, com que a população passe a confiar na política? Que essa confiança com a política passe a fazer parte do cotidiano dos cidadãos?

Falar a verdade. Nós não temos marqueteiro, vamos fazer uma campanha falando a verdade, rigorosamente, enfrentando o problema. Privatização tem que ser feita porque as empresas são ineficientes, os partidos se apropriam delas, os sindicatos também, e empresas ineficientes geram prejuízos, que são cobertos pelo nosso dinheiro. Por exemplo, a CEEE, em três anos, gerou R$ 1,2 bilhão de prejuízo, que será coberto com impostos dos gaúchos. Isto é uma barbaridade. É impossível continuar que isto se mantenha assim. Nós precisamos tirar o estado da frente destas companhias e fazer com que ele volte a se dedicar apenas à sua função essencial, que é segurança pública, garantir acesso à educação e saúde para quem precisa, e garantir um bom ambiente econômico para que o investimento floresça.

Um recado para a comunidade do bairro Canudos, o maior do interior do Estado, com cerca de 70 mil habitantes, e para a cidade de Novo Hamburgo.

Bom, para Canudos vou deixar o seguinte recado: eu não conheço, nunca estive, e vou lá, me comprometo a ir, porque eu tenho feito um esforço de conhecer o máximo os municípios gaúchos, está tão perto aqui. Novo Hamburgo, obviamente, toda a Região Metropolitana eu conheço. O recado para todos é que a gente precisa acreditar que tem saída, e que neste ano temos, pela primeira vez, uma alternativa de algo novo, diferente desta política tradicional que está aí. A gente precisa acreditar, vale a pena, a mudança está no voto de cada um de nós. Os políticos que estão aí não chegaram a pé no Congresso, no Palácio Piratini, ou no Palácio Farroupilha, eles chegaram com o nosso voto. Compete a nós trocá-los. Tem um ditado de para-choque de caminhão que diz: “A política não corrompe as pessoas, a sociedade é que acaba escolhendo corruptos para a política”.

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