Flores: "Temos a necessidade de acabar com o desemprego"

por Jornal Canudos

Com a definição dos candidatos a governador do estado, o Jornal Canudos inicia entrevistas com os postulantes ao cargo máximo do Executivo gaúcho que vêm a Novo Hamburgo. A reportagem preparou cinco perguntas, feitas de igual modo para todos eles, com o objetivo de promover o debate de ideias e o fortalecimento da democracia.

Confira a entrevista realizada com o candidato do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) ao governo do estado, Julio Flores.

Caso eleito governador, qual sua prioridade de investimentos para o estado do Rio Grande do Sul?

A nossa prioridade de investimento é nas áreas da saúde, educação e segurança pública. Isso é o que mais necessita a população, bem como na questão do desemprego. Queremos construir um plano de obras públicas, hospitais, moradias populares, obras de infraestrutura nos bairros populares, de tal maneira que, por um lado, as pessoas vivam dignamente, porque hoje a situação de miséria e fome nessas regiões, na periferia, é muito grande. E construiríamos casas para as pessoas morarem, escolas, postos de saúde, de tal maneira que todo mundo fosse muito bem atendido, e vivesse bem. Ao mesmo tempo, isso geraria empregos, porque aqueles que constroem o hospital, a escola e suas próprias casas, receberiam um salário em troca. É importante também a gente lutar pela anulação da reforma trabalhista, que tem vitimado e facilitado as demissões, ao contrário do que dizem os seus autores, tanto é que dificulta a entrada de ações trabalhistas, porque os trabalhadores têm que pagar para entrar com a tal da sucumbência. E nós tiraríamos o dinheiro do fim das isenções de impostos, pela suspensão do pagamento da dívida, combate à sonegação fiscal, enfim, tem muito dinheiro que a gente pode investir nessas áreas.

Na sua opinião, o Rio Grande do Sul passa por uma crise? Por que?

Sim e não. Sim porque o estado tem um monte de dinheiro, mas, de fato, os governos têm as suas prioridades em garantir os benefícios para as grandes empresas, para seus amigos, inclusive, que é aqueles que financiam suas campanhas eleitorais. Por um lado, tem uma dívida com o governo federal, em que se paga perto de R$ 4 bilhões por ano, isso não entra nos cofres públicos do estado do Rio Grande do Sul, porém sai, na verdade. As isenções fiscais estão ao redor de R$ 15 bilhões por ano, ou seja, o grande empresariado não paga imposto, quem paga somos nós, e com isso, deixa de entrar R$ 15 bilhões por ano nos cofres do estado, que poderiam muito bem ser investidos na saúde, na educação. A sonegação fiscal são outros R$ 7 bilhões. Tem a Lei Kandir, que são isenções para os agroexportadores, os grandes latifúndios. Resumindo, tem uns R$ 30 bilhões que a gente poderia mexer nesse vespeiro, acabando com as isenções fiscais, com a sonegação, não pagando a dívida com o governo federal, que nós poderíamos investir nestas áreas prioritárias, atendendo os interesses e as necessidades da maioria da população pobre e explorada do nosso estado.

Como governar de maneira eficiente com os municípios, com as pautas municipalistas, como a segurança pública e educação, e com a União, principalmente com relação ao tamanho da dívida estadual?

Essa dívida já foi paga inúmeras vezes, hoje está em R$ 67 bilhões, mas ela já foi bem menos. Um acordo estabelecido com o governo Britto, na época, fez com que desse um salto enorme, de algo como R$ 10 bilhões para o valor atual. O que nós pagamos, de fato, são os juros e amortizações, e ela só aumenta, então temos que suspender o pagamento. Faríamos um processo de repasse destes recursos adquiridos para serem investidos nas cidades. Isto seria gerido pelos conselhos populares, que é a forma de governo que a gente propõe. Os conselhos são órgãos eleitos em assembleias populares, ou seja, as categorias profissionais, de trabalhadores, operários, camponeses, as pessoas que moram na periferia, os bancários, municipários, enfim, todos os trabalhadores pobres e explorados do nosso estado geriam suas assembleias locais, os conselhos populares municipais, regionais, estadual e também nacional, pelo nosso projeto. E a gestão desses recursos seria exercida por esses conselhos para investir na saúde e educação, e, portanto, as necessidades locais estariam sendo atendidas conforme a necessidade de cada região, em todas as questões que os trabalhadores precisam.

Como fazer, na sua opinião, com que a população passe a confiar na política? Que essa confiança com a política passe a fazer parte do cotidiano dos cidadãos?

Nós temos hoje um sistema político podre. Os parlamentos, as Câmaras municipais, Assembleia Legislativa, o governo do estado, governos municipais, enfim, são governados por setores ligados ao grande capital, aos banqueiros, industriais, ao agronegócio, e defendem seus interesses, e mais do que isso, eles estão envolvido totalmente no terreno da corrupção em todas as esferas, inclusive no Poder Judiciário. A primeira medida em relação a isso é colocar na cadeia corruptos e corruptores das empreiteiras, e outras empresas, por um lado, dando confiança à população de que, quem rouba, quem pega o dinheiro público para uso pessoal, individual, empresarial, seja lá o que for, paga por este crime. Essa é a primeira medida. E a segunda é recuperar os bens, confiscando os bens destes senhores que se apropriaram indevidamente do dinheiro público, recuperá-los para o estado, para a maioria da população. Os conselhos populares seriam quem governariam, fundindo o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. Eles teriam tudo dentro de si mesmos, e isso é a própria população exercendo o poder, e, portanto, de maneira direta, ganharia confiança, porque estão ali participando e fiscalizando, sejam quais forem as medidas que forem tomadas por esses conselhos, por aqueles que estariam à frente do conselho, que seriam os secretários de estado.

Um recado para a comunidade do bairro Canudos, o maior do interior do Estado, com cerca de 70 mil habitantes, e para a cidade de Novo Hamburgo.

Um dos temas mais importantes que vemos aqui para esta região, e para a cidade como um todo, é a necessidade imperiosa de a gente acabar com o desemprego. Não é possível que tenhamos um país, um estado que têm riquezas importantíssimas, mas têm alguns trabalhadores que vivem na miséria, que não têm onde morar, o que comer, moram em condições precaríssimas, com esgoto a céu aberto, então, uma das medidas fundamentais seria a geração de empregos. O que a gente pretende, com a redução da jornada de trabalho de oito para, digamos, 30 horas semanais, e que se possa repartir os empregos para todos os que estejam desempregados naquela região. Outra é a medida de um plano de obras públicas que empregaria os próprios trabalhadores que estariam construindo suas próprias casas, e também outras obras de infraestrutura para ter uma vida melhor para as pessoas desses bairros que têm tantas dificuldades, tantos desempregados, que têm condições miseráveis de existência. A outra maneira é uma reforma agrária, distribuindo terras para aqueles que não têm onde plantar, mas também criando fazendas coletivas de produção coletiva para os trabalhadores, gerando, assim, ocupação para as pessoas, e a renda do salário para que se possa bem viver com as condições de existência que qualquer ser humano tem direito.

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