Jairo: "Quero fazer a segunda revolução educacional do Rio Grande do Sul"

por Jornal Canudos

Com a definição dos candidatos a governador do estado, o Jornal Canudos entrevista os postulantes ao cargo máximo do Executivo gaúcho que vêm a Novo Hamburgo. A reportagem preparou cinco perguntas, feitas de igual modo para todos eles, com o objetivo de promover o debate de ideias e o fortalecimento da democracia.

Confira a entrevista realizada com o pré-candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) ao governo do estado, Jairo Jorge.

Caso eleito governador, qual sua prioridade de investimentos para o estado do Rio Grande do Sul?

Nossa prioridade é a educação. Pretendo fazer a segunda revolução educacional da história do nosso Estado. A primeira foi há 60 anos com Leonel Brizola. Os recursos para investir em escolas e melhores salários para os professores, por exemplo, virão de um fundo que será criado a partir do lucro das empresas públicas, principalmente do Banrisul. Não vamos privatizar o banco. Pelo contrário, vamos fortalecê-lo e aumentar sua lucratividade.  Também precisamos recuperar a economia do Estado para gerar mais emprego e desenvolvimento, e reestruturá-lo, tornando-o mais eficiente, com o cidadão em primeiro lugar. Acredito que também é preciso acabar com a guerra santa com os servidores públicos. Minha ideia é criar uma mesa de diálogo para juntos mudar a situação do Rio Grande. Precisamos de humildade para buscar as soluções que tiveram êxito em outros estados e coragem para inovar. Acredito que a inovação é o caminho para superação das mazelas e dos problemas estruturais do Rio Grande do Sul, com soluções novas e originais. É isso que me motiva a ser o governador de todos os gaúchos.

Na sua opinião, o Rio Grande do Sul passa por uma crise? Por que?

A crise gaúcha é profunda. Portanto, as soluções precisam ser inovadoras. As saídas utilizadas pelos últimos governos foram sempre as mesmas: aumento de impostos, privatizações, uso do caixa único e/ou utilização dos depósitos judiciais. Esta repetição de práticas antigas não tem mais sustentação e levará cada vez mais ao aumento da crise. Nosso ICMS está tirando a competitividades das nossas empresas. Quero reduzir impostos para aumentar a arrecadação com a Lei do Gatilho: quando aumenta a arrecadação, reduz o imposto pago pelo cidadão. Implantei esse mecanismo em Canoas em 2009, e fomos a primeira cidade do Brasil a fazer isso. Reduzimos em um terço a alíquota do ISSQN e a arrecadação aumentou 104%. Também vamos enfrentar o problema de sonegação com inteligência fiscal e atrair novos investimentos por Estado, especialmente na área de tecnologia.

Como governar de maneira eficiente com os municípios, com as pautas municipalistas, como a segurança pública e educação, e com a União, principalmente com relação ao tamanho da dívida estadual?

Sou municipalista. Fui prefeito por oito anos, sei das dificuldades que os prefeitos enfrentam. Serei um grande parceiro deles. Para isso, precisamos ter capacidade de construir soluções e convergências. Precisamos desburocratizar e simplificar processos para tornar o Estado mais simples e rápido. Isso atrairá investimentos e, consequentemente, irá gerar emprego e renda.  Vamos agilizar o processo de licenciamento ambiental para 60 dias. É possível. O shopping, que demorou cinco anos para ter licença ambiental em Porto alegre, precisou apenas de 57 dias para ser licenciado em Canoas. Também reduzi o prazo de abertura de empresas de 120 dias para 48 horas com a criação do Escritório do Empreendedor para reunir todas as etapas do processo num único lugar. Com a União, vamos renegociar a dívida. Não existe saída fácil, nem simples, feita da noite para o dia. Mas acredito que o Rio Grande tem solução.

Como fazer, na sua opinião, com que a população passe a confiar na política? Que essa confiança com a política passe a fazer parte do cotidiano dos cidadãos?

Entendo a decepção das pessoas com a política. Hoje, o que o eleitor mais espera de um político é honestidade. Mas honestidade deveria ser regra, não diferencial. Por isso tenho orgulho de dizer que sou ficha limpa. E quero ser governador para fazer diferente, para transformar a vida das pessoas. Eu tenho experiência para fazer diferente. Fui um prefeito inovador e durante os oito anos que administrei Canoas, busquei soluções originais para levar minha cidade a outro patamar. Ampliamos o orçamento, conseguimos trazer 19.808 novas empresas, geramos milhares de empregos, melhoramos a educação, a saúde, a segurança e deixamos um legado de 835 obras. Assumi uma cidade com inúmeros problemas, com R$ 25 mil em caixa, oito meses de atraso de pagamentos de fornecedores e uma dívida de R$ 175 milhões. Mas sempre olhei para frente, jamais critiquei meu antecessor. É da forma que eu governei Canoas que entendo que o Rio Grande precisa ser governado. Não será com lamentações nem ataques. Ao invés de atirar pedras, eu defendo usá-las para construir os alicerces do futuro que desejamos. E todos os gaúchos desejam um futuro melhor. Percorri todo o estado. Sou o único candidato que visitou todos os 497 municípios. Fiz isso exatamente para me preparar. Entendo que quem quer ser governador tem de conhecer o Estado como a palma da mão. Conheci todas as cidades para ter um diagnóstico exato do estado e para apresentar as soluções que os gaúchos esperam.

Um recado para a comunidade do bairro Canudos, o maior do interior do Estado, com cerca de 70 mil habitantes, e para a cidade de Novo Hamburgo.

Meu recado é de otimismo e esperança. Conheço bem a região metropolitana e o Vale dos Sinos. Sei das dificuldades crônicas que existem. Mas acredito que é possível a união de forças para reerguer nosso Estado, atuando a partir dos municípios, com prefeitos perto, ouvindo a população, dialogando. Vamos trabalhar ao lado dos prefeitos para construir soluções para transformar a vida dos cidadãos. Como prefeito de Canoas, construí 14 escolas municipais e cinco UPAs, sendo a primeira UPA do idoso do país. Também combatemos fortemente a violência com uso da tecnologia. O bairro Guajuviras era considerado um dos mais violentos do Brasil e nós conseguimos mudar isso e salvar vidas, além de reestabelecer a segurança. Também asfaltamos 90% das ruas, fechamos todos os valões que existiam na cidade. Penso que o governador tem que ser parceiro dos prefeitos para garantir rapidez nas soluções dos problemas. Fiz em Canoas e acredito que é possível fazer em todo o Rio Grande do Sul. Por isso, minha mensagem é de esperança.

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