Leite: "Nossa grande prioridade é botar o estado para crescer"

por Jornal Canudos

Com a definição dos candidatos a governador do estado, o Jornal Canudos entrevista os postulantes ao cargo máximo do Executivo gaúcho que vêm a Novo Hamburgo. A reportagem preparou cinco perguntas, feitas de igual modo para todos eles, com o objetivo de promover o debate de ideias e o fortalecimento da democracia.

Confira a entrevista realizada com o pré-candidato do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) ao governo do estado, Eduardo Leite.

Caso eleito governador, qual sua prioridade de investimentos para o estado do Rio Grande do Sul?

Nossa grande prioridade é botar o Rio Grande do Sul para crescer, para se desenvolver, gerar riqueza. O estado precisa ter uma perspectiva de futuro que anime os gaúchos, abrindo espaço para quem quer investir. Como você faz isso? Viabilizando a redução da burocracia, agilizando processos para a liberação de novos empreendimentos no estado, como licenciamento ambiental, reduzir o tempo pra emissão das licenças e simplificá-las, viabilizar investimentos em infraestrutura, e o Rio Grande do Sul precisa de R$ 25 bilhões em investimentos em infraestrutura rodoviária, mas também de investimentos em ferrovias, hidrovias. Isso precisa ser feito em parceria com a iniciativa privada. Queremos viabilizar este investimento que vai duplicar estradas, pavimentar acessos asfálticos nos municípios. Precisamos reduzir a carga tributária, e para isso precisamos reduzir o déficit público. Você tem que reorganizar o estado para reduzir o desequilíbrio entre a receita e a despesa e com isso projetar esta perspectiva. Investimento também estratégico na educação, formação qualificada para termos uma mão-de-obra de excelência, que gere a capacidade de atração de novos investimentos. E, associado a isso tudo, segurança pública, que é dever do estado. Vamos estar focado nisso, tanto é que trouxemos para nossa chapa como pré-candidato a vice-governador o Ranolfo, que é delegado da Polícia Civil, foi chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, então segurança pública é garantir tranquilidade, ordem e tranquilidade às famílias, e é uma grande prioridade nossa.

Na sua opinião, o Rio Grande do Sul passa por uma crise? Por que?

A crise está muito clara, e ela vem do desequilíbrio das contas públicas pelos tantos anos em que o estado gastou mais do que arrecadou. Nos últimos quarenta anos, a maior parte do tempo o Rio Grande do Sul faz isso. E isso se intensificou nos anos mais recentes, especialmente no governo do PT, quando o crescimento da receita foi de 8% e o crescimento da despesa corrente, com pessoal, foi de 25%. Ou seja, aumentou-se muito mais a despesa do que foi o crescimento da receita. Então, é uma crise existente que precisa ser enfrentada com redução das despesas, reestruturação da máquina pública e um crescimento econômico para a receita crescer.

Como governar de maneira eficiente com os municípios, com as pautas municipalistas, como a segurança pública e educação, e com a União, principalmente com relação ao tamanho da dívida estadual?

Temos que trabalhar na renegociação desta dívida, para poder gerar uma repactuação e a recuperação fiscal do estado, além de trabalhar em aliança com a União para enfrentamento de problemas como o da segurança pública, tráfico de drogas, na melhoria do investimento do sistema penitenciário, uma série de políticas. Investimentos em infraestrutura também devem ser feitos em parceria com a União. Quanto aos municípios, acho que uma das grandes questões, é que o governo do estado deve ser um articulador regional de políticas públicas. Determinadas políticas que dependem de articulação regional nas microrregiões é o estado que precisa dar apoio e suporte aos municípios para formarem os consórcios, para haver estratégia regional de enfrentamento dos problemas, de desenvolvimento econômico, e também o estado deve ser um apoio para os municípios na formatação de parcerias com a iniciativa privada, mas também para o enfrentamento de problemas fiscais dos municípios, porque se os municípios tiverem melhor saúde financeira, melhora a vida de todo mundo. Ou seja, o estado não pode olhar apenas para o seu problema, ele tem que olhar também para os problemas que os municípios estão enfrentando, ajudá-los a superar e articular soluções de enfrentamento de seus problemas fiscais, porque, se eles dependerem menos do estado, a vida dos gaúchos que moram nesses municípios melhorará, e estaremos atendendo o interesse público assim também.

Como fazer, na sua opinião, com que a população passe a confiar na política? Que essa confiança com a política passe a fazer parte do cotidiano dos cidadãos?

Em primeiro lugar, agora no processo eleitoral, é chamar a atenção de que a política interfere nas preocupações que as pessoas têm no seu dia-a-dia. Eu vejo que as pessoas não se preocupam com política, mas se preocupam com segurança, educação, saúde, e todos esses pontos têm influência da política. E o resgate da confiança virá com a efetividade das políticas públicas, com os resultados concretos. Em Pelotas, terminei meu mandato com 87% de aprovação, e minha sucessora foi eleita com a maior votação da história da cidade, 60% dos votos já no primeiro turno. Além disso, tivemos, na última eleição, um dos menores índices de abstenção, votos brancos e nulos, porque a população está confiando na política e no governo, e vendo os resultados. Então a melhor forma de resgatar a confiança das pessoas na política é demonstração de resultados concretos, e é isso que a gente se propõe, uma vez que possamos vir a assumir o estado.

Um recado para a comunidade do bairro Canudos, o maior do interior do Estado, com cerca de 70 mil habitantes, e para a cidade de Novo Hamburgo.

Acho que temos que ter uma aproximação do governo com a vida nas comunidades, nos bairros. Há uma série de serviços públicos sendo prestados sem ter a devida articulação entre eles. Tem a escola, o posto de saúde, os Centros de Referência de Assistência Social, são todos braços do poder público, seja do município ou do estado, e que pouco conversam entre eles. Então a nossa grande meta é promover a articulação entre esses serviços, para que eles sejam todos mais eficientes e possam impactar mais positivamente a vida das comunidades na base. No final das contas, é sobre isso a política: como melhorar a vida do cidadão, simplificando a relação dele com o governo, o estado, os municípios, e gerando resultados mais eficientes, e é nesse sentido que a gente vai trabalhar.

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