Heinze: ''Vou pressionar para cobrar o que a União deve ao Rio Grande do Sul''

por Jornal Canudos

Com a definição dos candidatos a governador do estado, o Jornal Canudos entrevista os postulantes ao cargo máximo do Executivo gaúcho que vêm a Novo Hamburgo. A reportagem preparou cinco perguntas, feitas de igual modo para todos eles, com o objetivo de promover o debate de ideias e o fortalecimento da democracia.

Confira a entrevista realizada com o candidato do Partido Progressista (PP) ao governo do estado, Luis Carlos Heinze.

Caso eleito governador, qual sua prioridade de investimentos para o estado do Rio Grande do Sul?

Primeiro, nós já discutimos com os economistas da Fecomércio, com a Federação dos CDLs, com a Farsul, dos produtores, e com a Fiergs, das indústrias. Estão buscando junto com tributaristas o desenho de uma política tributária para o Rio Grande do Sul. Queremos redimensionar a legislação tributária do estado, de forma que não precisemos aumentar impostos. O que quero demonstrar, e estou discutindo com as entidades, é como cobrar o mesmo nível de impostos, até diminuindo. A bancada do PP, liderada pelos deputados Sérgio Turra e Fixinha, já tem o compromisso de não aumentar impostos para a próxima legislatura. Não aumentar, e, se possível, diminuir a carga tributária, estimulando, através da questão tributária, que empresas possam investir no Rio Grande do Sul. E no setor coureiro-calçadista, já tive uma reunião na Abicalçados e me propuseram: se você baixar o tributo, por exemplo, do calçado, se fizer alguma política de incentivo, será que não possamos repatriar algumas empresas que hoje foram para o Nordeste? Estamos estudando também esta possibilidade não apenas no Vale do Calçado. O que queremos é simplificar esse processo tributário, redimensionar a carga tributária, e essa é uma das formas de atrairmos investimentos.

Na sua opinião, o Rio Grande do Sul passa por uma crise? Por que?

A crise no estado começa com a dívida que temos, que vai se acumulando ao longo dos anos. Um descontrole entre as arrecadações e os gastos. Tem que ter mais controle com o gasto público, gastar menos do que hoje, e vamos tentar fazer isso. Discutir o endividamento, e facilitar a vida de quem quiser investir no Rio Grande do Sul. Outro dia fui jantar com o setor dos hotéis e restaurantes de Gramado. Pedro Bertolucci, o que eles fizeram nos últimos 30, 40 anos, desde Horst Volk, que foi prefeito, foi uma revolução. O exemplo de Gramado serve para o Rio Grande do Sul. Imagina potencializarmos o turismo no Litoral, na Fronteira, nas Missões, como a Serra Gaúcha tem hoje aqui. Têm coisas para fazer no estado, e essas pessoas que fizeram Gramado ser o que é, querem me ajudar a fazer o Rio Grande do Sul do turismo. Contem comigo que venho com essa mesma vontade que tenho da agricultura, pois sou agrônomo, produtor rural, mexo com essa área há 44 anos, quero fazer pelo desenvolvimento do Rio Grande do Sul. Preciso fazer isso.

Como governar de maneira eficiente com os municípios, com as pautas municipalistas, como a segurança pública e educação, e com a União, principalmente com relação ao tamanho da dívida estadual?

Vou fazer pressão para cobrar o que a União deve ao Rio Grande do Sul e aos estados exportadores, além de fortalecer o municipalismo. Uma reforma tributária nacional, fazer com que o dinheiro venha muito mais para o município, onde moram as pessoas, onde elas cobram saúde, educação, não do presidente da República. É uma forma de combater também a corrupção, porque, no município, junto com o prefeito, está o vereador, estão os moradores, está o Ministério Público. É muito mais fácil ele cobrar no município do que em Porto Alegre, e muito pior em Brasília. Até a própria corrupção diminui quando o dinheiro fica mais a nível municipal. Aí é uma forma de prestigiar mais educação e a segurança pública, que hoje é um clamor da população. Queremos trabalhar fortemente nessa questão, integrando a Brigada Militar com a Polícia Civil. Eu vejo, hoje, em alguns lugares, o brigadiano ter medo, às vezes, de enfrentar o bandido, porque, muitas vezes eles se tiroteiam, e daqui a pouco ele está sendo condenado. Então, eu, como governador, quero dar segurança para quem nos traz segurança. Teremos o chefe de polícia, o comandante da Brigada e o secretário de segurança, mas o comandante-geral será o governador do estado. Vou trabalhar semanalmente com eles, e o que estiver acontecendo nos municípios eu quero estar interagindo diretamente, para que se sintam mais seguros.

Como fazer, na sua opinião, com que a população passe a confiar na política? Que essa confiança com a política passe a fazer parte do cotidiano dos cidadãos?

Vote em deputados que você conheça, gente que repasse seriedade e credibilidade. Assim vamos mudar a política. O povo tem que saber em quem votar. Fizemos, em Brasília, a cassação da presidente Dilma Rousseff. Votei para cassar o José Dirceu, do PT, o Pedro Corrêa, então presidente do meu partido, o Eduardo Cunha, votei para seguir o processo [de afastamento] do Michel Temer, quer dizer, não é porque é deste ou daquele partido. A credibilidade vai ser passada por isto aí. A limpeza que não foi feita na Câmara, nas cassações, ou a que não foi feita dentro do Judiciário, que seja feita agora pelo eleitor. Agora, ele tem que votar. Se abster é muito pior, porque, se não, gente que você não quer vai se eleger. É importante que a população se conscientize. Vocês, dos meios de comunicação, têm esse papel de levar esta mensagem. Vote em gente séria, que tenha passado, história, e aí, essas pessoas poderão governar bem o nosso estado e nosso país.

Um recado para a comunidade do bairro Canudos, o maior do interior do Estado, com cerca de 70 mil habitantes, e para a cidade de Novo Hamburgo.

Meu irmão morou no bairro Canudos nos anos 80. Então eu vinha ainda como agrônomo lá em São Borja, não estava na política, e parava na casa do meu irmão em Canudos. Então conheço o bairro desde aquela época, vi que cresceu muito. Pode esperar muito empenho de quem, um dia, começou sem nada na vida. Comecei trabalhando no barzinho do meu pai, eu atendia no balcão. Eu sei o que é dificuldade. Eu passei dificuldade para estudar, para me formar. Hoje, tenho meu negócio estabelecido, minha família. Vim de baixo, depois fui prefeito e, hoje, além de ser produtor rural, sou um deputado de cinco mandatos. Conheço todos os lados da moeda. Meu empenho é me dedicar às causas das pessoas com mais necessidades. Seja na saúde, não posso imaginar que nós tenhamos, hoje, 714 mil consultas, exames e cirurgias especializadas, e o pessoal não ter onde fazer isso. Eu quero honrar este compromisso, zerar estas filas. Da mesma forma na educação. O Delmar Backes, da Faccat, está nos ajudando a montar um plano para que possamos ter mais qualidade no Rio Grande do Sul, porque, se eu quiser evoluir o estado, tenho que investir em educação, é fundamental. Vamos fazer um grande trabalho e estimular que os investidores possam investir no Rio Grande do Sul, e não atrapalhar, para gerar mais empregos como um todo.

 

Deixe seu comentário

Comentar sem criar conta

0
Termos e Condições.

Comentários