“Temos que vencer a descrença”, diz senador Alvaro Dias em entrevista exclusiva

por Jornal Canudos

O senador paranaense e ex-governador do Paraná Alvaro Dias, de 73 anos, deve concorrer pela primeira vez à presidência da República nas Eleições de 2018, assim como seu partido, o Podemos. Deixou o cargo máximo do estado em 1991 com 93% de aprovação, e já foi escolhido um dos parlamentares mais influentes do Brasil.

Nesta entrevista exclusiva ao repórter Felipe Faleiro, feita na sexta-feira (1º) no Palácio Piratini, em Porto Alegre, o pré-candidato ao Planalto, que cumpriu agenda oficial no Rio Grande do Sul, reafirmou suas convicções políticas, seus projetos para a região do Vale do Sinos, e, principalmente, seu anseio de “refundar” a República, que passa, segundo ele, por uma série de reformas, entre elas, a constitucional.

Jornal Canudos - O senhor tem este projeto de refundar a República, e em uma entrevista recente, comentou que gostaria de fazê-lo em cem dias. Como colocar isto em prática?

Alvaro Dias - Há que se aproveitar o calor que vem das urnas, a credibilidade conquistada no voto. É claro que o governo não acaba em cem dias. Você planta a estrutura na construção da obra administrativa que virá durante os quatro anos. Então, neste primeiro período você lança as bases, a estrutura, a pilastra principal da organização administrativa com este pacote de reformas. Obviamente, elas terão desdobramentos durante os quatro anos. A refundação da República é a substituição deste sistema, o que deve implicar, inclusive, em uma reforma constitucional. Nós vamos ter que alterar alguns dispositivos constitucionais para dar suporte às mudanças que pretendemos apresentar. E será fundamental uma boa comunicação com a sociedade, pra conquistar este apoio. A grande arma que tem o governante é a sociedade.

Hoje, a região do Vale do Sinos é muito voltada aos serviços, porém a indústria já foi muito forte. Falando em um contexto geral, como trabalhar com os Estados para retomar a indústria aos níveis anteriores de desenvolvimento?

É fundamental a reindustrialização do País. Nós já tivemos, e não faz muito tempo, a indústria respondendo por cerca de 24% dos empregos gerados no País, e hoje ela responde por apenas 9%. Precisamos adotar uma política industrial orientada para atender especialmente as vocações regionais, estimulando o crescimento industrial. O Rio Grande do Sul tem as suas peculiaridades. Temos aqui a uva, o vinho, a metalurgia, enfim, são setores característicos, e que podem sim ser estimulados. Outra questão fundamental é facilitar as exportações. Nós exportamos bastante, mas elas estão focadas basicamente em produtos reconhecidos internacionalmente, como a soja e a carne. Podemos, porém, alcançar toda a cadeia produtiva demonstrando que exportar é possível, e elas certamente valorizarão o processo de industrialização do País. Há que se também romper barreiras alfandegárias. Os últimos governos optaram pelo Terceiro Mundo, em razão do perfil ideológico dos seus governantes. Nós temos que redirecionar a relação comercial brasileira para os países do Primeiro Mundo. Eles podem nos beneficiar. Estes, do Terceiro Mundo, não. Portanto esta relação vai depender de um presidente que tenha postura e credibilidade internacional para restabelecer o respeito que o mundo deve devotar ao Brasil.

Agora, falando em um contexto mais local, a região também tem tradição com a indústria calçadista. O senhor tem algum projeto para este setor?

Nós vamos recolher as sugestões do setor, para sentir quais são suas dificuldades e verificar onde devemos colocar a mão para superá-las. Nós teremos uma política industrial abrangente. Certamente os líderes da indústria nacional, confederação, federações, contribuirão com suas sugestões, e tenho buscado em todos estes ambientes. Teremos condições de compor este mosaico da industrialização no País, atendendo peculiaridades regionais e, inclusive, os setores produtivos diferenciados, como, por exemplo, a indústria calçadista, que nós reconhecemos sua importância para o estado do Rio Grande do Sul. Nós queremos ouvir o Brasil antes de mexer com ele. Já começamos a fazê-lo, e certamente faremos chegando à presidência da República.

Qual sua opinião em relação aos programas sociais, tanto os que existem no governo atual, quando os já implantados por outras administrações?

Os programas sociais não são novidade, porque eles não foram nem mesmo criados no Brasil, são inspirados em outras nações. O Bolsa Família, especificamente, estes programas de complementação de renda, são fundamentais em razão da pobreza existente no Brasil. 52 milhões de brasileiros estão abaixo da linha da pobreza. Então, são programas que não podem ser desprezados nesta fase de transição para o desenvolvimento. Enquanto o Estado brasileiro não oferecer oportunidade de trabalho e para o exercício pleno da cidadania, ele tem o dever de sustentar programas sociais nesta fase de transição. Obviamente tem também a responsabilidade, e aí depende de competência e de gestão, de preparar a saída dos programas sociais daqueles que hoje são escravos deles. Por isso que aquela frase cai muito bem: “A melhor forma de superar a pobreza é valorizar quem produz”.

O senhor tem algum recado para a população de Novo Hamburgo?

Nós temos que vencer a descrença, porque há uma descrença generalizada. Não podemos jogar a toalha. Vamos rever aquela canção do Raul Seixas, que diz “tente outra vez, tenha fé em Deus, tenha fé na vida e tente outra vez”. À população de Novo Hamburgo e do Rio Grande do Sul, de modo geral, este é o apelo: vamos tentar mais uma vez.

Deixe seu comentário

Comentar sem criar conta

0
Termos e Condições.

Comentários