Polarização pode gerar novas tensões sociais após a eleição, diz especialista

por Felipe Faleiro

As Eleições de 2018 estão aí, e é o momento de o eleitor ir às urnas e decidir o destino da sua região, estado e país para os próximos anos. Na sociedade, muito se fala em renovação, outros preferem a continuidade da política atual, mas é fundamental que todos compreendam o papel de cada candidato e a importância de cada voto no pleito.

Uma das características do voto neste ano, porém, é mesmo a polarização do debate, principalmente no voto para a presidência da República. A ação tem sido potencializada pelas redes sociais na Internet, e quase sempre no intuito de favorecer determinado candidato ou desorientar esta ou aquela proposta.

Em entrevista ao Jornal Canudos, o professor da disciplina de Ciência Política do curso de Direito e coordenador do Núcleo de Práticas Jurídicas, ambos da Universidade Feevale, Cássio Schneider Bemvenuti, afirma que estas páginas acabam criando um ambiente de acirramento dos ânimos.

“A discussão de ideias acaba ficando em segundo plano, pois muitos usuários acabam se apegando em questões elementares, como o caráter ficha limpa do candidato, e esquecendo, por exemplo, de saúde, educação e segurança”, afirma Bemvenuti. Segundo ele, isto cria um eleitor passivo. “A pessoa acaba votando muito mais pela emoção do que pela razão”.

Nova polarização

A tendência para o período pós-eleitoral, segundo ele, é de uma nova polarização, da mesma forma que nas eleições de 2014. “Naquela ocasião, o Brasil ficou dividido entre Dilma Rousseff, do PT, e Aécio Neves, do PSDB, os candidatos que foram para o segundo turno. Dilma venceu, e quem foi derrotado acabou não aceitando o resultado”.

Conforme Bemvenuti, as tensões continuaram até o impeachment de Dilma, aprovado em 2016. “Tenho certo temor de que isto volte a ocorrer neste ano, pois tudo indica que, após os resultados nas urnas, continuemos tendo uma tensão social e política”.

Nesta eleição, cresce a presença da expressão voto útil, ou seja, o eleitor deixa de escolher o candidato de sua preferência para tentar evitar aquilo que considera o “pior resultado possível”. “O eleitor, no fim das contas, escolhe aquele que é mais identificado com a ideologia que ele mesmo crê”, comenta.

“As eleições fundamentais ainda são para escolher os representantes do Legislativo, ou seja, os deputados. Eles têm um poder extremamente importante, mas uma baixa preocupação do eleitor. O problema é que o cidadão, passado algum tempo, nem lembra em quem votou”, encerra.

 

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