Rossetto: “Vale do Sinos vai liderar a retomada do crescimento econômico no RS”

por Jornal Canudos

Miguel Soldatelli Rossetto (PT), que já foi ministro do Desenvolvimento Agrário, Secretaria-Geral da Presidência e do Trabalho, concorre ao governo do Rio Grande do Sul nas eleições de outubro. Em entrevista ao Jornal Canudos, ele criticou o governo de José Ivo Sartori e o modelo de preços de combustíveis da Petrobras, além de garantir o respeito ao Vale do Sinos, região onde nasceu e iniciou sua vida política. Disse ainda que trabalha em um projeto de recuperação das finanças do Rio Grande do Sul, que, segundo ele, não passa pelo parcelamento de salários.

Jornal Canudos - O que o senhor pensa destas mobilizações em prol dos caminhoneiros?

Miguel Rossetto - A política de preços de combustíveis do governo Temer é irresponsável e inaceitável, e contra os interesses do país. Não é de uma empresa estatal, comprometida com o desenvolvimento e o abastecimento da sociedade e da economia brasileira. Portanto, nós temos que mudar esta política, como convivemos durante várias décadas. Isto foi rompido por esta escalada de preços do gás, do diesel, da gasolina. A atual gestão da Petrobras opera com os interesses de curto prazo do capital privado que está na companhia. Nenhum país do mundo abre mão de uma regulação forte na área de energia, alimentos e de defesa. Portanto, esta reação da sociedade é contra uma política de preços que deve ser derrotada e modificada.

Como retomar uma indústria eficiente em Novo Hamburgo e região, que hoje têm grande parte de suas economias voltadas ao setor de serviços?

O Vale do Sinos, e o Rio Grande do Sul, devem retomar uma agenda de crescimento econômico. Estamos há três anos com uma economia em situação de recessão, perdendo emprego, renda e riqueza. A economia gaúcha e a do Vale são fortemente integradas com a economia nacional. Precisa mudar o Brasil, o Brasil precisa voltar a crescer. Temos que aproveitar ao máximo a nossa capacidade de exportação pra outros mercados. O Vale tem uma enorme capacidade de indústria e de serviços instalada, e vai liderar uma retomada do crescimento econômico no estado do Rio Grande do Sul. Queremos estimular a inovação.  Nós temos estabelecido um diálogo forte com a indústria e o setor de serviços da região.

O governo Sartori realiza há algum tempo o parcelamento de salários, e diz que, com a economia gaúcha da forma em que está, uma hora ou outra isto teria que ser feito. O senhor concorda?

Não é correto. O governo Sartori faz escolhas erradas, trabalha mal, trabalha pouco e tem demonstrado uma incompetência brutal. Aliás, esta é a marca de todos os governos do PMDB, do PSDB e do PP no Rio Grande do Sul. Foi assim com Britto, Rigotto e Yeda, governos que não tiveram compromisso com o povo gaúcho. Desorganizam as finanças, a economia e o serviço público. Esta é uma crise produzida por este governo. O Rio Grande do Sul nunca passou por uma situação como esta. São três anos e quatro meses de governo, 29 meses pagando salários de servidores atrasados, e nenhum 13º salário em dia. Governamos o estado com Olívio e Tarso, e enfrentamos situações muito difíceis, mas nunca atrasamos salários. Já estamos trabalhando um plano de recuperação das finanças do estado. O governador precisa liderar uma agenda de crescimento econômico, disputar investimentos federais e privados. Pretendo reduzir nossos gastos e resolver o problema da dívida estadual, muito mal negociada em 1998 pelo Britto e FHC. Já pagamos este débito por vinte anos, e o Sartori quer pagar por mais trinta. Veja só, cinquenta anos pagando uma dívida que retira 13% da receita anual do estado. O STF obrigou a União a ressarcir os estados exportadores por conta das perdas provocadas pela Lei Kandir. O governo federal nos deve algo em torno de R$ 4 bilhões ao ano, semelhante àquilo que nós devemos a Brasília. Deve-se fazer um grande encontro de contas e liberar o montante para permanecer no Rio Grande do Sul e ser aqui investido. Meu primeiro ato como governador é assegurar pagamento em dia aos professores, aos policiais que trabalham e que cumprem a sua missão. Minha tarefa é assegurar o pagamento em dia dos salários e um bom serviço público à sociedade gaúcha.

O senhor, caso eleito governador, terá de tratar com o governo em Novo Hamburgo, que atualmente é do PSDB. Como fazer isto sem haver um clima de animosidade?

Muita cooperação. Os governos têm relações institucionais sólidas, federativas, que exigem um ambiente de muita cooperação. Nós vamos ter como marca do nosso governo uma relação de muita cooperação, como, aliás, sempre tivemos. Essa é a tradição dos governos do PT. Foi assim com Lula e Dilma, Novo Hamburgo nunca recebeu tantos investimentos como recebeu com ambos. Nosso governo estadual vai respeitar a população de Novo Hamburgo, de Canudos e do Vale. É assim que se deve governar, pensando na população, no cidadão e na cidadã. Temos que deixar no passado esta relação de abandono do governo estadual com os municípios e regiões.

Falando agora em um contexto mais geral, há a expectativa de que o ex-presidente Lula, o maior líder do PT, possa não concorrer à presidência por estar preso? Como lidar com este descrédito, e o que o senhor pensa sobre esta prisão?

Lula é inocente, não cometeu nenhum crime, e nós continuamos com a convicção de que ele deverá concorrer e liderar o país para uma retomada do desenvolvimento. O Lula não é mais o candidato do PT, e sim do povo brasileiro. Todas as pesquisas mostram que ele vence no primeiro e no segundo turno. Nós continuaremos ao lado do povo, defendendo sua candidatura. Não há democracia neste país sem a libertação do Lula, assim como não há eleições livres sem a candidatura do presidente Lula, e não há Brasil soberano e justo sem a liderança do presidente Lula. A cada semana que passa fica mais clara a natureza política de sua condenação. O PT continuará mantendo a candidatura do presidente Lula, o maior líder popular, e hoje a única liderança capaz de colocar o Brasil numa rota de paz, estabilidade e desenvolvimento.

O senhor tem algum recado para a comunidade de Canudos e Novo Hamburgo?

Conheço a comunidade de Canudos, tenho profundo respeito por ela, que é trabalhadora e dedicada. Acompanho desde há muito tempo Novo Hamburgo, estudei e me formei na Liberato, minha vida sindical e política sempre teve como referência o Vale do Sinos. Minha fala é de luta e esperança. É possível melhorar o Rio Grande do Sul, voltarmos a crescer, tirarmos o Rio Grande desta crise com educação e trabalho. O PT já governou o Rio Grande, e bem. Quero, com minha experiência de vice-governador e ministro, voltar a governar o estado, com uma agenda de esperança, de respeito a quem trabalha. Temos todas as condições de tirar o estado dessa crise e jogarmos o Rio Grande e o Brasil numa rota de crescimento.

 

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