Noite solidária: grupo fornece alimentos e carinho a moradores de rua

por Jornal Canudos

Seis automóveis, entre eles uma Kombi, saem enfileirados do pátio do Ministério Batista Cristo é a Vida (MBCV), na Rua Sobradinho, bairro São Jorge, em Novo Hamburgo. É perto de 21 horas, e a chuva parou de cair há pouco. No veículo maior, dirigido pelo coordenador Léo Barreto, uma caixa de isopor repleta de alimentos embalados em caixas de leite, evitando que a comida esfrie. Em outro, um garrafão de suco e pães. Destino: Centro de Novo Hamburgo.

Esta é a rotina do Grupo Luz da Rua, que desde 2014 promove encontros entre seus membros, todos voluntários, todas as terças. Eles preparam e distribuem gratuitamente os alimentos e bebidas a moradores de rua do Município, mas a ideia é expandir as atividades para outras cidades, como São Leopoldo.

O grupo, hoje composto por quarenta pessoas, começou suas atividades após Léo visitar um projeto semelhante na capital gaúcha. “Fiquei quase um mês indo de Novo Hamburgo a Porto Alegre, fazendo o trabalho com eles, e depois pensei que deveria implantar aqui”, conta Léo. “Chamei alguns amigos, alguns até de outras cidades, e começamos. Estamos aqui até hoje, e graças a Deus, nunca deixamos de vir”.

Recomeço

Uma situação, porém, quase encerrou os planos da equipe. A antiga sede, no bairro Boa Saúde, foi arrombada, e a maioria dos materiais levada. Léo, então, procurou o MBCV, que tem um projeto de acolhimento a moradores de rua, chamado Capelania de Rua. A adesão foi imediata. “Faz parte da igreja esta função social também, ser uma solução para a sociedade. Pra nós, é uma bênção auxiliar neste projeto”, afirma a pastora Margot Onzi.

O MBCV fornece as instalações da cozinha sem custos, e o grupo traz os alimentos e embalagens, muitos obtidos por doações. Neste 1º de maio, a cozinha esteve cheia, assim como as panelas. O cardápio da noite, arroz, feijão e carne de gado, é preparado pelo cozinheiro profissional Nelson Rorato.

Por volta de 85 marmitas são preparadas pelos vinte voluntários presentes. Assim que o isopor está cheio, é levado para a Kombi. Alguns fazem a limpeza da cozinha. Em seguida, todos se reúnem em um círculo e, coordenados pelo pastor Alexandre Paim da Silva, oram a Deus para que nada saia errado.

A organização nos veículos é feita na hora. Os carros saem rumo à Praça do Imigrante, lugar tradicional de entrega dos alimentos. Um deles desvia no meio do caminho e segue à Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA), também no Centro.

1ª parada – Praça do Imigrante

A Kombi chega antes dos outros à praça e Léo desce, e logo após os demais. Homens, mulheres e crianças fazem fila para receber a refeição, pela parte de trás do automóvel, das mãos de Leticia Emcke de Oliveira e Caciele Bitencourt. Uma por uma, as embalagens são distribuídas e abertas ali mesmo.

Enquanto isso, pastores e demais voluntários conversam com os moradores de rua, cantando e tocando instrumentos. Terminam as porções reservadas para o local. O grupo da DPPA, entre eles o pastor Paim, chega, mas os alimentos não foram entregues. Quem estava no plantão não permitiu.

Os organizadores comentam que há mais pessoas do que o normal na praça, por isso as marmitas que sobraram são repassadas à Kombi. Nova fila se forma. “A importância deste trabalho é o resgate da cidadania do ser humano. E, para a igreja, é também da solidariedade, do social, é ver o outro como irmão e não como mais um, buscar a essência daquilo que Cristo nos deixou”, conta Paim.

2ª parada – Rua Magalhães Calvet

Após cerca de 40 minutos, é hora de deixar o local. Moradores e voluntários se cumprimentam. Ainda há cinco marmitas; três serão entregues na Rua Magalhães Calvet, em frente ao Pronto Atendimento (PA). Ali, a equipe encontra apenas um senhor, já conhecido.

Ele recebe o acalento do grupo por meio de orações e muita música. O grupo se despede pela última vez. Nesta noite, o itinerário foi mais curto, mas ainda há duas porções, entregues a pessoas próximas à Estação Fenac.

“Às vezes, chegamos a terminar a ação à meia-noite, ou mais”, afirma Léo. E tem lista de espera para integrar o Luz da Rua? Segundo o coordenador, sim, e ela é grande. “A pessoa deixa nome e telefone, e quando alguém deixa de participar, é feito o contato”.

A voluntária Thais Gomes resume como é participar do Luz da Rua. “Geralmente, são pessoas invisíveis à maioria. Não trazemos apenas o alimento material, mas o espiritual, um abraço, uma palavra de carinho, um conforto. Muitas vezes, é apenas disto que elas precisam”, conclui.

 

Valmor e Claudete, os visitantes

O casal Valmor de Moraes e Claudete Heinzen de Moraes é de Joinville (SC). Ambos estiveram em Novo Hamburgo para uma reunião de pastores do MBCV. Aqui, conheceram e participaram pela primeira vez do Luz da Rua. “Lá, tenho um projeto semelhante, mas trabalho com menores dentro do Case (Centro de Atendimento Socioeducativo). E aqueles meninos que querem mudar de vida, quando eles saem dali, eu acolho em minha casa. Faço oficina de marcenaria com eles, que funciona como terapia ocupacional, e também dá experiência profissional aos jovens”, diz Valmor.

 

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