Dona Norma: 91 anos dedicados a Novo Hamburgo

por Jornal Canudos
Norma segura fotografia dela mesma na juventude e no colo de Max Fischel, quando bebê
Norma segura fotografia dela mesma na juventude e no colo de Max Fischel, quando bebê

Novo Hamburgo ainda nem tinha se emancipado quando Norma Rosalina Lux veio ao mundo. Nascida em julho de 1926, nove meses antes da fundação da cidade, a moradora do bairro Hamburgo Velho contou ao Jornal Canudos parte de uma história que poucas pessoas ainda vivas atualmente presenciaram: a do nascimento da própria cidade onde nasceu e mora até hoje.

Dona Norma tem 91 anos, a mesma idade que Novo Hamburgo completa na quinta-feira (5). Amiga de Ernesto Frederico Scheffel, o artista plástico que fez da cidade seu lar, e afilhada de Max Fischel, dono da antiga cervejaria localizada onde hoje é parte do Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini, ela conta que viu de perto toda a colonização do espaço.

“Meu avô construiu esta casa, pra tu ter uma ideia. Sempre morei aqui, e ali passava o trilho do trem que ia a Novo Hamburgo”, conta. Na época, Hamburgerberg (antigo nome da cidade) era distrito de São Leopoldo. “Sempre íamos, eu e alguns amigos, passear por lá”, e aponta para um trecho da Av. Victor Hugo Kunz.

Havia, na infância de Norma, não mais do que três casas e duas fábricas na região: uma de instrumentos musicais no final da Rua Marques de Souza, onde a professora aposentada vive, e outra na atual Rua Mauá, onde terminava o trilho do trem. A estação original foi aberta em 1903 e demolida sessenta anos depois.

Entrar na casa centenária, hoje escondida no meio de comércios, é como ingressar de cabeça na história da cidade. A arquitetura alemã se faz presente em cada cômodo, assim como nos móveis, porta-retratos e quadros espalhados pela residência. Quase todos com retratos de família, como dos dois irmãos.

  Norma (no círculo) com alunos do Colégio Pindorama, em foto de 1959 | Foto: Marcia Poschetzky/Reprodução

Fischel e Scheffel

No início do século passado, a cervejaria dirigida por Fischel era relativamente próspera na região. Segundo Leopoldo Petry, um dos líderes da emancipação e segundo prefeito de Novo Hamburgo, o local chegou a produzir 52 mil garrafas de cerveja por ano.

Com Fischel, Norma tinha uma relação de afeto, e eram frequentes as visitas dela ao negócio do padrinho. Mas o carinho dela em relação a Scheffel era maior. “Certa vez, ele escreveu uma carta para mim dizendo que eu era uma moça de ‘belas formas’”, brinca.

De lá para cá, Norma viu o crescimento do bairro e da própria cidade. Alguns amigos se foram, outros permanecem até os dias atuais. E sobre o segredo de sua longevidade, a aposentada diz que é o amor que sente pela vida. “Tenho prazer de comemorar cada aniversário, quase junto com a cidade que vivo. Falo de coisas boas e sorrio junto de pessoas queridas”, completa.

Retrato de Max Fischel na varanda de sua casa, onde hoje são os fundos do Colégio Estadual Senador Alberto Pasqualini, em Hamburgo Velho | Foto: Marcia Poschetzky/Reprodução

 

Deixe seu comentário

Comentar sem criar conta

0
Termos e Condições.

Comentários