Inadimplência atinge mais de 40% da população de Novo Hamburgo acima de 18 anos

por Jornal Canudos

Já dizia o samba de Paulinho da Viola em 1975: “Dinheiro na mão é vendaval/ É vendaval/ Na vida de um sonhador”, se referindo às quantias, que, muitas vezes, vêm e vão facilmente. E a gastança desenfreada por parte dos consumidores muitas vezes se reflete em dívidas. Quando não controladas, geram inadimplência. Em Novo Hamburgo, segundo dados do Serasa Experian, o mês de dezembro de 2017, e por consequência o ano, fechou com 74,5 mil devedores, ou 41,9% da população acima de 18 anos.

A tendência, conforme o levantamento solicitado pelo Jornal Canudos, é de queda sobre o mês anterior, quando 75,6 mil pessoas maiores de idade tinham algum tipo de dívidas (42,5% da população), e também em relação a dezembro de 2016 (76,7 mil pessoas, ou 43,3% de inadimplência).

Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH), Gilberto Luís Kasper, o parcelamento no cartão de crédito ainda é o principal fator que influencia no alto percentual. “A maioria das pessoas tinha o costume de pagar sempre a parcela mínima, o que representa um alto risco. Para a operadora de cartões, muitas vezes não era suficiente para abater o próprio custo da prestação. O resultado é que o nome do consumidor acabava sujo”, afirma.

Outro fator que, segundo Kasper, compromete o rendimento das famílias é a crise econômica recente. “Mesmo que a economia tenha dado sinais de uma pequena recuperação em 2017, muitas pessoas estão ainda desempregadas, e acabam se tornando inadimplentes por terem contraído dívidas enquanto tinham trabalho”. Ainda assim, ele comemora a leve redução na inadimplência registrada em Novo Hamburgo. “Os consumidores têm tido uma maior educação financeira nos últimos tempos”, salienta.

Novo Hamburgo      
 
Dezembro de 2016
Novembro de 2017
Dezembro de 2017
Inadimplentes 76.700 75.600 74.500
Percentual de inadimplentes 43,30% 42,57% 41,94%
Não-inadimplentes 100.419 102.008

103.131

Total 177.119 177.608 177.631

 

No País

No Brasil, janeiro de 2018 terminou com 60,1 milhões de inadimplentes, número 0,5% inferior a dezembro de 2017 (60,5 milhões). As dívidas dos brasileiros somaram, conforme a consultoria, R$ 265,6 bilhões, com média de quatro dívidas por CPF, ou cerca de R$ 4,4 mil por pessoa.

De acordo com o Serasa, a queda geral na inadimplência também pode ser justificada pela maior utilização do 13º salário na quitação das dívidas em atraso, inclusive com os consumidores aproveitando os descontos oferecidos pelos credores em feirões de renegociação de dívidas promovidos no fim do ano passado.

Além disto, a manutenção da inflação e dos juros em patamares baixos e a melhora gradual na situação da renda e do emprego favorecem o recuo.

Me endividei, e agora?

Pesquisas da Serasa apontam que 40% das pessoas que regularizaram a situação financeira voltam a ser negativadas em menos de 12 meses. Por isso, separamos algumas dicas para ajudar a planejar seu orçamento sem culpa.

- Antes de concluir a compra, pare e pense: você precisa mesmo daquele produto/serviço? Tente diferenciar o que precisa daquilo que simplesmente é um desejo.

- Faça uma lista de produtos e serviços que você efetivamente necessita e outra com itens que quer adquirir por prazer. Na hora da compra, priorize o que é necessário, avaliando as condições de pagamento. Sempre pesquise preço e condições de pagamento.

- Não se engane com parcelamentos propostos pelas lojas: esse mecanismo “engana” o cérebro, criando a ilusão de que custa pouco. Considere o valor total, incluindo os juros. E, antes de decidir, some todos os parcelamentos contratados para saber o quanto eles comprometem sua renda mensal.

- Também tome cuidado com o “compre agora e pague depois”. Este truque distancia a compra do pagamento, antecipando a alegria de possuir um item e retardando o sofrimento de pagar por ele.

- Cuidado com promoções: confira se o preço está mesmo mais baixo e só leve o que precisa.

- Nunca leve uma quantidade exagerada de determinado produto apenas porque considerou uma boa oferta.

- Guarde todos os cupons fiscais e, no final do dia, anote tudo o que gastou. - Ao comprar, não faça contas de cabeça. Use uma caderneta ou uma planilha e liste as despesas fixas (aluguel, telefone, escola, etc.), as variáveis (que cada pessoa da família costuma fazer) e todas as prestações.

- Cultive bons hábitos. Caso esteja inadimplente, saia de casa apenas com o dinheiro contado, evite ir ao shopping para passear, dê uma pausa no uso do cartão de crédito, pesquise preços e reduza ou elimine gastos supérfluos do dia a dia.

Metodologia do levantamento

Os dados absolutos de inadimplência foram fornecidos pelo Serasa Experian. Já o número total dos moradores acima de 18 anos em Novo Hamburgo (população economicamente ativa) foram coletados no cadastro da Justiça Eleitoral.

A consultoria considera quaisquer valores devidos, mas as empresas geralmente negativam o nome de 30 a 45 dias após o atraso. A única exceção é a telefonia, no qual o consumidor fica com o nome sujo depois de 90 dias. As dívidas expiram após cinco anos.

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